Incluir dependentes no IR nem sempre é vantajoso. Entenda porquê.

Incluir dependentes no IR nem sempre é vantajoso. Entenda porquê.

Em época de imposto de renda, é comum ouvirmos pessoas falando que quanto mais dependentes você tem, menos imposto você paga. Isso é verdade, mas não uma realidade absoluta, pois há situações em que incluir dependentes no IR pode fazer com que você se prejudique, pagando mais imposto de renda.

Que tal analisar isso um pouquinho melhor? Continue a leitura!

Incluir dependentes no IR é opção e não obrigação

Mesmo que você tenha cônjuge e filhos, eles não necessariamente precisam figurar na sua declaração. O ideal é que você comece preenchendo sua declaração sem os dados do dependente e depois os insira.

Se a situação melhorar, ou seja, se você reduzir o valor a pagar ou aumentar o valor a restituir, mantenha o dependente. Caso tenha que pagar mais ou reduzir os valores a restituir, tire-o novamente.

Os dados do dependente

Como o governo federal oferece deduções para cada dependente adicionado, incluir dependentes no IR fará com que a declaração fique mais favorável ao titular. No entanto, não é apenas o nome completo, a data de nascimento e o CPF (caso tenha mais de 14 anos) que devem ser preenchidos. É aí que está o problema, pois o titular pode ter o valor pago a título de imposto de renda aumentado ou pode ter a sua alíquota alterada para um valor maior.

Perfil do dependente

Se o seu dependente é um filho estudante que não trabalha e nem faz estágio, será vantagem adicioná-lo, pois além do desconto ordinário da Receita Federal, você poderá somar os valores de mensalidades escolares e gastos com saúde em nome dele. Isso ocorre também com o cônjuge.

O problema está quando o dependente obtém receitas tributáveis, como é o caso de um filho que já trabalha ou faz estágio e de um cônjuge empregado. Nesses casos, deve ser feita a simulação, tal como foi citada no segundo parágrafo.

No caso de estágio, mesmo sem ter vínculo empregatício, os valores devem entrar por se tratarem de fruto de trabalho. Portanto, na maioria dos casos, o filho que faz estágio não ajudará o pai a pagar menos impostos. Muito pelo contrário, ele poderá fazer com que se pague mais.

Possíveis alterações na alíquota incidente

Analisemos o caso de um casal em que os dois sejam empregados. Ambos estão enquadrados na alíquota de 15% de IR e deixam os valores retidos mês a mês via contracheque, pois o empregador de cada um assim o faz.

No momento do ajuste anual, se ambos o fizerem juntos, a vantagem a ser obtida quando incluir dependentes no IR não será vantajosa. Pois ao serem somados os rendimentos de ambos, o valor a ser pago ficará enquadrado na alíquota máxima.

Assim é o entendimento da Receita Federal: a tributação incide sobre o total declarado, ou seja, titular mais dependentes. Dessa forma, a declaração será tributada a 27,5%.

Inviabilização da inserção

Como ambos apenas descontavam 15% mensalmente na folha, terão que, além de deixar todos os valores retidos, pagar o equivalente a 12,5% de imposto, que é a diferença entre 27,5% (alíquota do casal junto) e 15% (alíquota de cada um separado). Fica claro que, se o rendimento do dependente for menor que o valor de sua respectiva dedução, o que inclui gastos com educação e saúde, a inclusão do dependente ainda sim pode valer a pena. Para identificar se vale a pena, a situacao deve ser simulada dentro do próprio programa da Receita Federal.

Isso também pode ocorrer quando um é isento e outro tributa com 7,5%, por exemplo. Juntos, a alíquota pode ser de 27,5% e a diferença a ser paga seria de 15% da base, também inviabilizando incluir dependentes no IR. Há várias situações em que essa ação é vantajosa, mas isso não é uma regra para todos os contribuintes.

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