Mundo digital: A (trans)formalização irreversível e seus impactos para a Contabilidade

Mundo digital: A (trans)formalização irreversível e seus impactos para a Contabilidade

Muito se discute o impacto que a transformação digital trará para a Contabilidade. Há aqueles que profetizam que a profissão será uma das mais afetadas negativamente pela economia digital e que, inclusive, corre o risco de ser extinta, já que todos os processos contábeis serão executados automaticamente por aplicativos e recursos de inteligência artificial.

Não bastasse o pouco conhecimento que essa visão reflete acerca das funções mais nobres da contabilidade, ela carece sobretudo de observações mais profundas das implicações que a economia digital trará para o conjunto das finanças pessoais e empresariais e, consequentemente, para a Contabilidade.

Vamos nos ater a alguns poucos exemplos, mas com profundos impactos econômicos, para fundamentar um ponto de vista ainda pouco explorado na imensa maioria das análises sobre a “era digital” e seus reflexos na Contabilidade.

Comecemos pelo Uber. Todos já conhecemos as transformações que o aplicativo provocou no transporte público e na vida das pessoas do ponto de vista da mobilidade urbana. Contudo, pensemos no aspecto financeiro da atividade, onde todas as transações são gerenciadas por meio de um aplicativo e seu imenso banco de dados. Até mesmo as transações em dinheiro são registradas e armazenados.

Ou seja, todo o faturamento dos “motoristas” do Uber, como de qualquer outro aplicativo semelhante, será formal e exigirá do profissional o atendimento à legislação fiscal.

Pensem nesse mesmo mercado antes da era digital, ou seja, antes dos aplicativos, qual era o nível de formalidade existente e qual é agora?

Não precisamos aprofundar para entender que o cenário mudou radicalmente no aspecto da formalização da renda e é muito provável que muitos desses profissionais precisarão de orientação e dos serviços de um contador para não cometer os mesmos erros já cometidos por diversas outras categorias.

Agora pensem em todo o universo de atividades econômicas que já são ofertadas por meio de aplicativos e que, consequentemente, registram e armazenam as informações, formalizando as relações financeiras entre os agentes. Que impactos terá essa formalização para a Contabilidade?

O mesmo vale para todas as transações que atualmente passam pelas “maquininhas” de cartão de débito e crédito, que se tornaram tão populares.

Na outra ponta, também se popularizaram os bancos digitais e as fintechs, com a emissão em massa de cartões sem anuidade, atingindo cada vez mais um público ainda não bancarizado. Juntando as duas pontas, temos um imenso contingente de pessoas realizando agora suas compras com cartão, inclusive em atividades que tinham por característica uma grande informalidade.

Não raro, é possível se deparar com todo tipo de profissionais, tais como vendedores, cabeleireiros, manicures, esteticistas, costureiras, sapateiros, bombeiros, eletricistas, entre outros, portando sua própria “maquininha” e oferecendo a comodidade da venda por cartão, inclusive parcelada.

Ocorre que todas essas transações realizadas por qualquer meio eletrônico de pagamento tornam-se formais e, consequentemente, requerem todos os cuidados necessários para seu registro e declaração.

Nesse ambiente, o próximo passo já esperado é a popularização dos meios de pagamento por aplicativos de celular, como já ocorre em outros países, reforçando ainda mais as transações digitais.

Portanto, considerando que seja essa uma tendência que só tende a aumentar, qual será seu impacto na formalização de atividades econômicas e, portanto, para a Contabilidade?

Temos ainda diversas outras atividades que estão sendo diretamente impactadas pelos processos digitais, mesmo que involuntariamente, e se vendo obrigadas a formalizarem suas atividades, ainda que parcialmente.

Sem dúvida, é um caminho sem volta e que irá impactar a Contabilidade, assim como vem impactando tantas outras profissões e atividades. Contudo, como se vê pelos exemplos acima, também são muitos os impactos positivos que a era digital trará para nossa área como um todo.

A digitalização dos processos financeiros tem como consequência direta a formalidade da atividade econômica. E, nenhuma outra profissão poderá se beneficiar mais dessa formalização do que a Contabilidade.

Por tantos anos, fomos as maiores vítimas da informalidade, já que por natureza tal prática sobrevive da inexistência de registros e controles, o que é uma das prerrogativas das nossas atividades.

Contudo, a digitalização sinaliza um cenário de maior formalização da economia e formalização significa exatamente o contrário, ou seja, a necessidade de registros e controles, bem como, a expertise de profissionais capacitados para orientar e guiar todos os envolvidos diante do emaranhado de normas contábeis e tributárias existentes em nosso país.

Apesar de termos utilizado exemplos de profissões e empreendimentos de pequeno porte para fundamentar as mudanças que observamos, são esses pequenos negócios a verdadeira marca de uma transformação, já que é nesse segmento que a informalidade sempre prosperou.

Uma mudança dessa envergadura na base, pelo alcance e abrangência que tem, certamente, contribui para uma mudança nos demais estratos empresariais. 

Portanto, ao contrário do que se alarma em algumas pesquisas e análises, nós da NTW acreditamos que a Contabilidade tem muito mais a ganhar do que a perder com a digitalização da economia.

Mais uma vez, entender as tecnologias e fazer uso das melhores ferramentas será um diferencial para todos os profissionais e empreendedores envolvidos.

E, como players de mercado, temos na inovação uma das forças do nosso processo de expansão e que nos levou a nos tornarmos a maior rede contábil do país. 

Pedro Paulo de Andrade Cavalher

Diretor Executivo NTW Muriaé

 

Sobre o Autor:

Pós Graduado em Marketing digital com especialização em marketing de performance.