Primeiros passos para organizar as finanças da sua microempresa

Primeiros passos para organizar as finanças da sua microempresa

Artigo escrito pelo contador Luiz Lima, diretor-executivo da NTW São Caetano/SP

Você sabia que 25% das empresas que encerraram suas atividades no Brasil alegam que o motivo é algum problema financeiro? Outro fato curioso é que 25% das empresas admitem que a falta de planejamento foi determinante para a falência.

Analisando estes dados apresentados pelo SEBRAE coletados através da pesquisa “Sobrevivência das Empresas no Brasil”, podemos afirmar que a organização financeira e empresarial é fundamental para minimizar os riscos de sua empresa falir, mesmo que você não goste de falar sobre isso.

Separe o joio do trigo

Essa organização deve iniciar basicamente na separação entre o que pertence à empresa e o que pertence ao empresário. É extremamente comum, e perigoso, que as rotinas e as contas pessoais se misturem com as rotinas e contas da empresa, e estas práticas acontecem em sua maioria por dois fatores: falta de instrução e falta de tempo devido à rotina atribulada.

Para se ter o resultado esperado nesta ação, é importante que sejam abertas duas contas correntes, sendo uma conta para Pessoa Física e outra conta para Pessoa Jurídica. Benefícios desta ação:

  • Fácil identificação de informações no extrato;
  • Linhas de créditos específicas para cada situação;
  • Cartões específicos com taxas e serviços diferentes para cada um.

Caso você não veja necessidade de novas linhas de crédito, além de taxas e serviços diferenciados, uma solução simples para este passo é ter tipos diferentes de conta, utilizar a Conta Corrente já existente para a Pessoa Física e utilizar a Conta Poupança ligada a esta mesma conta corrente para a Pessoa Jurídica, por exemplo.

O primordial neste primeiro passo é entender a importância de separar os recursos em contas distintas.

Faça uma revisão do seu pró-labore

O segundo passo a ser dado é a definição do pró-labore, que é a remuneração – justa – que o empresário recebe pelo trabalho. Na definição deste pró-labore, dois pontos devem ser considerados: a atividade que o sócio ou empresário desempenha na empresa, e o valor de mercado pago a este tipo de atividade.

A periodicidade destes pagamentos pode ser definida levando em consideração o fluxo de recebimento e pagamento da empresa, além das necessidades do empresário. O valor deve ser depositado na conta pessoal do empresário e, somente com esta conta, devem ser quitados os valores referentes às despesas domésticas e pessoais.

Conclusões

Após separarmos as contas e definirmos um pró-labore ao empresário, já temos condições de separar os orçamentos e elaborar fluxos de caixas distintos. É aí que entra a figura de uma boa contabilidade consultiva, que analisa prazos de recebimento e de pagamento, capital de giro, inadimplência, reservas, e orienta o empresário sobre as melhores práticas financeiras. Com o serviço de contabilidade consultiva o gestor ainda ganha condições de gerar e acompanhar os indicadores de desempenho e controle e, assim, fazer uma gestão precisa. O contador ainda pode ajudar em outros aspectos, como adequação de custos e despesas fixas, no ciclo financeiro e na gestão de estoques.

Já no orçamento doméstico deve-se atentar ao valor definido de pró-labore para organizar as despesas, incluindo as reservas que são de suma importância para que não haja a necessidade de retiradas sem prévio planejamento do caixa da empresa.

“O Segredo do sucesso não é prever o futuro, é criar uma organização que prospere em um futuro que não pode ser previsto.” (Michel Hammer)

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